sábado, 11 de Abril de 2009

Tal como prometido

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Passo a citar...


"All right ramblers, let's get rambling!"
Lawrence Tierney em Reservoir Dogs

Então e agora?

Depois de uma cerimónia de Oscars repleta de grandes filmes, qualquer um é levado a pensar "e agora?". Mas não desesperem, porque 2009 vai trazer muitos filmes pelos quais vale a pena esperar. Aqui está o Top 10:


10º - Inglourious Bastards de Quentin Tarantino


É assim que nos chega o "pedido de desculpas do realizador" depois de Death Proof. Apesar de fazer erguer algumas sobrancelhas no que toca à sua semelhança com Dirty Dozen, Quentin Tarantino consegue pegar num que à partida, não seria do que outro filme da 2ª Guerra, e torna-lo numa sangrenta demanda com um único objectivo: matar tantos Nazis quantos possíveis. Com Brad Pitt no papel principal e a brilhante escrita de Tarantino, este filme perturbadoramente violento (bastante obvio para quem já viu o trailer) é a grande aposta do realizador para 2009.




9º - Ice Age 3 de Carlos Saldanha



Não culpamos ninguém por ter pouca fé neste filme. A verdade é que depois do segundo as coisas já estavam a descambar. As piadas eram forçadas e a história sem qualquer consistência. No entanto, a chegada deste filme é uma boa notícia para os mais pequenos, a quem este género de coisas passam ao lado. Por isso sentem-se e desfrutem.













8º - Sherlock Holmes de Guy Ritchie


Quem diria que depois de tantos anos afastado do grande ecrã, Holmes regressaria. Desta vez pela mão de Robert Downey Jr. sobre a direcção de Guy Ritchie. No entanto a escolha de Jude Law para o papel de Watson é tudo menos elementar. Ainda assim, o talento de Downey deixa-nos confiantes e na expectativa.





7º - The Boat that Rocked de Richard Curtis



Depois de tais comédias de sucesso como Nothing Hill, Love Actually e Bridget Jones's Diary, Richard Curtis faz a sua segunda incursão no mundo da realização. Esta produção em todos os aspectos ousada, conta com a presença de um veterano neste tipo de filmes, britânico Bill Nighy, já para não falar o do incomparável Philip Hoffman. Um argumentista experiente, mais um elenco de luxo só pode resultar em puro entretenimento.


6º - Terminator Salvation de McG

Três filmes e uma serie depois tinha-se tornado quase insuportável a ideia de não dar seguimento a esta saga tão amada pelos fãs de ficção científica. Desta vez com Christian Bale no papel de Jonh Connor, que lidera um grupo de sobreviventes na revolta contra as máquinas. Claro que nem todos podem ser como o Indiana Jones que ao fim de 20 anos ainda descobre tesouros escondidos. Portanto, neste caso, é esperar para ver (ou não).





5º - Transformers: The Revenge of the Fallen de Michael Bay

Embalado pelo sucesso do primeiro Michael Bay decide voltar a apostar no jovem e prometedor Shia LaBeouf, e assim avança com a sequela do sucesso de bilheteira do mesmo nome, só que desta vez sem o apoio financeiro de Steven Spielberg, que se encontra muito ocupado a adaptar ao cinema o herói de banda desenhada Tintin. Mas isso não tira mérito ao filme, visto que Transformers foi dos filmes de maior sucesso na carreira de Bay.



4º - Anjos e Demónios de Ron Howard

Um pouco menos polémico que o seu antecessor, Anjos e Demónios deixa a Opus Dei em paz, para ir directo ao Vaticano. Escusado será dizer que quem leu o livros, por favor, não crie demasiadas expectativas, porque, como na maioria das adaptações, o livro é melhor. Ainda assim, não deixem de ir ver. O realizador é bom e os actores também. De certeza que se arranja um tempinho...



3º - Public Enemies de Michael Mann

O "camaleão" favorito de Hollywood volta a encarnar o tipo de personagem que sempre o atraiu. O fora de lei desta vez dá pelo nome de John Dillinger, que acompanhado por Baby Face Nelson e Pretty Boy Floyd dominam e aterrorizam a América. Seguramente que Deep nos irá brindar com mais um desempenho inesquecível. E para aqueles que acham que os filmes de Gangster já deram tudo o que tinham a dar, desenganem-se, porque Jonny Deep está a chegar, e vem determinado a provar o contrário.





2º - Star Trek de J. J. Abrams

Aqui está mais um filme para os fã da serie televisiva, que teve tantas adaptações quanto temporadas. Mas não deixa de ser uma boa notícia. Quem não conhecia fica conhecer, catapultando assim a serie para o sec. XXI. Quem já conhece e gosta está na altura de voltar a ir buscar toda a tralha Star Trek que têm no sótão. Para mim, que conheço mas não sou fã, era muito fácil este filme passar-me ao lado, não fosse ter a assinatura de J. J. Abrams, o visionário criador de LOST.


1º - Harry Potter and the Half-Blood Prince de David Yates

Ainda que atrasado quase meio ano, o que deixou muitos fãs em rebuliço, Harry Potter regressa este verão à escola onde tudo parece acontecer. Um filme de transição onde os ânimos começam a ferver, e tudo se vai alinhando para a parte final da saga. Este filme marca um ponto de viragem, a partir daqui é guerra aberta. É por isto que Harry Potter 6 é o filme mais esperado de 2009.

quinta-feira, 9 de Abril de 2009

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domingo, 23 de Novembro de 2008

Filme novo, regras novas

Se ano novo é vida nova, então filme novo deve ter regras novas. Foi nesta máxima que os criadores da nova película de James Bond pareceram apostar. E se já Casino Royal havia servido para reinventar a série, Quantum of Solace apresenta-se decidido a romper com todos os clichés. Assim, vemos, pela segunda vez consecutiva, Daniel Craig na pele do agente secreto mais amado do grande ecrã, ainda com o coração partido do filme anterior, o que, efectivamente, justifica que James tenha dispensado dormir com a Bond Girl. Ou isso ou foi a falta de feminilidade de Olga Kurylenko que o fez pensar duas vezes. Já com a agente Fields não se colocou a mesma questão. Igualmente rejeitada foi a célebre frase “my name is Bond, James Bond”, que ao fim de mais de vinte filme, começava a perder o brilho.

No entanto, e no meio de todas estas novas políticas, há coisas que nunca mudam. Judi Dench é uma delas e, apesar de não termos a certeza do que o M significa, o certo é que a conscienciosa personagem volta a assumir o papel de maMã do agente.

Outro tesourinho da série é as suas sequências de perseguições que neste filme usaram tantos meios quantos possíveis. Desde a clássica corrida sobre quatro rodas até a ousada fuga de avião.

Mas a verdade é que nenhum filme é digno do nome se não tiver um vilão a séria. E se James Bond deixou de lado a Bond Girl, Dominic Greene não esteve para se fazer de esquisito. Um mau da fita cujo plano para dominar mundo passava por controlar as reservas de água não poderia, de forma alguma, estar destinado ao sucesso.

E é nesta nova embalagem que nos é trazido mais um filme do agente britânico, repleto de inovações, bem como de alucinantes sequências. Mas como tudo o que é de mais enjoa, há que lançar a questão: terá sido a montagem excessivamente ousada ou fui eu a única a não conseguir acompanhar convenientemente a perseguição de carro que abriu o filme?

domingo, 28 de Setembro de 2008

Porquê, Lucas, porquê?


Depois de trinta anos a deslumbrar audiências, George Lucas dá a sua lendária saga por terminada em 2005 ou, pelo menos, assim parecia. Nunca se ira adivinhar que, afinal, Lucas tinha ainda planeado mais um segmento. E aqui é que a coisa se torna verdadeiramente original. O conhecido realizador não só concebeu um novo capítulo, que se encaixa algures entre “O Ataque dos Clones” e “A Vingança dos Sith”, como o fez todo em animação digital.
Se já era estranho visualizar um sétimo episódio, pensar num sétimo episódio que, em vez de actores, tem bonequinhos é simplesmente absurdo. No entanto, sem actores que alinhassem no seu projectozito, é provável que ele não tenha tido outra escolha.
Seja como for, “Star Wars: A Guerra dos Clones” é uma história tanto isolada quanto irrelevante, já para não dizer desinteressante. Uma desculpa patética para fazer dinheiro, através de uma saga que já deu o que tinha a dar e deveria ter sido deixada em paz, em vez de humilhada, ao ser transformada num desenho animado para crianças. Na prática, este filme nunca será mais do que isso: uma versão infantil dos filmes de culto, destinada inteiramente aos mais pequenos. Sinceramente, mais valia ter deixado as criancinhas crescer para apreciarem, um dia mais tarde, o Star Wars no seu estado puro.
Este filme espelha o desespero de um realizador que, apesar de já ter rios de dinheiro, procura juntar mais uns cobres, sugando até ao tutano a única grande ideia (excluindo o American Graffiti) que teve em toda a sua carreira. Tinha feito melhor se tivesse ficado calado e quieto por uns tempos.
Agora, tudo o que resta às legiões de fãs defraudados é esperar que não seja dado seguimento a este sacrilégio, o que, na verdade, é bem provável que aconteça.

quarta-feira, 24 de Setembro de 2008

Quem espera... desespera

Expectativas...
Basicamente, é a isso que tudo de se resume. O que levamos connosco sempre que vamos ver um filme? Expectativas. Mas será isso positivo? Quer dizer... quanto mais ouvimos falar de um filme, mais expectativas criamos e mais difícil será que o filme lhes corresponda. Nesse caso, terá de ser mesmo bom ou, então, ficará sempre aquém. Os Harry Potters, por exemplo, são uns livros que eu adoro e espero o ano todo pelos filmes. E, depois, o que acontece? Vou ao cinema e saio de lá a desejar que nunca tivessem adaptado a pequena saga. Convenhamos, o último filme (Ordem de Fénix) tinha uma acção que se movia em piloto automático.
Isto levanta outra questão. O que nos leva a procurar um ou outro filme? Aqueles anunciados em grandes cartazes, meses antes das suas estreias, ficam-te na memória e esperas que cheguem às salas de cinema para que possas desfrutar da sua magia. Entretanto, ouves falar da premiere londrina, contam-te a história e, inconscientemente, dás por ti a imaginar o teu próprio filme, fabuloso, extraordinário e, muito provavelmente, diferente daquilo que vais encontrar quando entrares na sala escura.
Será, então, melhor ver filmes dos quais nada ouvimos dizer e para os quais não temos quaisquer expectativas que possam ser desfeitas? Quanto menos sabemos de um filme melhor? Há algum tempo, fui ver a Golden Compass. Tinha visto o trailer e não me tinha impressionado particularmente. Quando saí da sala do cinema, estava absolutamente satisfeita com um filme que tinha ido muito além das minhas expectativas, simplesmente, porque eu não tinha nenhumas. Seria o filme assim tão bom? Eu diria que sim, dentro do seu estilo, mas esta é uma resposta guiada pela surpresa que ele gerou na minha pessoa.

Podemos, deste modo, considerar um filme de pequeno orçamento melhor do que uma grande produção, somente porque, dentro dos seus diferentes escalões, um nos impressionou e o outro nos desiludiu? São as nossas expectativas que fazem de nós espectadores exigentes e nos ajudam a distinguir os piores dos melhores? De facto, se temos grandes expectativas e, mesmo assim, o filme as ultrapassa, é, à partida, um bom sinal.
Estarão os filmes mais esperados sob maior pressão do que aqueles que deslizam subtilmente para as salas de cinema? Será que, quando dizemos que um filme foi péssimo ,não estamos simplesmente a tentar compensar uma esperança mal depositada?
Na minha opinião, os filmes dividem-se em duas categorias: os esperados e os que esperam. Na primeira categoria, estão os célebres cabeças-de-cartaz, os filmes que passamos a semana a anunciar que vamos ver, cujo o título invocamos orgulhosos aquando da compra dos bilhetes. Basicamente, são aqueles filmes que toda a gente ouviu falar e que, quer pelos actores, pelo realizador ou por toda a produção envolvida, são associados, de imediato, a algo de qualidade. Estão, assim, reunidas as condições para a criação de umas belas expectativas. E é esta a prova de fogo para qualquer grande filme. Vencer a sua própria popularidade, superando aquilo que dele era esperado. Nessa altura, sentimos-nos bem, como alguém que apostou num cavalo vencedor. Mas se, por outro lado, o filme ficar aquém, sentimo-nos defraudados, manipulados por uma indústria que se provou mais astuta do que nos havíamos previsto. Então, selamos a razão num compartimento à parte, deixamos os nossos ressentimentos virem ao de cima, impedindo-nos sequer de apreciar o que de bom aquele filme poderia ter. E dizemos coisas do género "foi o pior filme que eu já vi" ou, então, "não podia ter sido pior" (foi assim que me senti quando sai d'O Prisioneiro de Azkaban) e juntamos esse filme a nossa "hall of shame". Esta é a maldição pendente sobre os filmes esperados.
Já com os que esperam são outra história. Os filmes que esperam são aqueles que chegam ao cinema sem que ninguém tenha ouvido falar deles e, muitas vezes, saem da mesma maneira. Sabem de que filmes estou a falar? Aqueles que vemos quando todos os outros filmes estão esgotados e escolhemos quase ao acaso, somente para ocupar uma tarde de sexta, já de si condenada à inactividade. Assim, entramos na sala, preparados para passarmos pelas brasas. No final da película, mostramos-nos indiferentes à fraca qualidade do filme, enquanto dizemos, a nós próprios, "de que mais estávamos a espera?", e a questão fica por aqui. Onde não há expectativas não há desilusões. No entanto, se o filme for bom o suficiente para prender a nossa atenção, já ficaremos impressionados. Sairemos a dizer que foi uma verdadeira "revelação". Tudo porque encontrámos qualidade onde não esperávamos. Parecendo que não, é mais fácil para um filme destes impressionar a audiência, porque não tem que lutar para afugentar o fantasma da sua própria popularidade.
Uma coisa é certa. As expectativas estão sempre presentes, quer viciem ou ajudem os nossos julgamentos.